A LUZ DE SANTIAGO

THE LIGHT OF SANTIAGO

Sempre fui atraído pela noite e pelas luzes da minha terra. Pela melancolia nelas contida. Pela magia do som do silêncio. Pela opacidade das pedras que se estendem pelas ruas da minha memória.

Enquanto criança, era nas noites de verão que, na companhia dos da minha igualha, percorria de bicicleta as suas artérias pedregosas. Desafiava os passeios em manobras acrobáticas de gelar o sangue e, sem o saber, projetava sonhos onde ingenuidade rimava com amizade. Terá sido durante estas alucinantes viagens que interiorizei o desejo de, um dia, imortalizar através da minha lente a inigualável Luz de Santiago.

I have always been attracted by the night and the lights of my little town. By it’s melancholy. By the sound of silence. Or even by the density of the stone that stretch the streets of my memory.

As a child, it was on summer nights that, in the company of my friends, I explored by bike the stony arteries of this little village lost in the middle of Alentejo. I challenged the rides with blood-chilling acrobatic maneuvers and, without knowing it, I projected in this streets dreams where naivety always rhymed with friendship. It has been during these adventures that I created the desire to one day immortalize, through my lens, the unique light of Santiago.

Esse dia finalmente chegou em 2018. De máquina na mão e voltando a percorrer as mesmas ruas de então, redescobri os alicerces da minha infância, escancarei a porta dos sentidos e aquietei os olhos no branco imaculado das paredes das casas, à espera do momento em que o Sol passa o testemunho à luz amarelecida dos candeeiros, para passar a ser esta a iluminar as nossas vidas. Esse momento único, esse segundo mágico a que convencionámos chamar de lusco-fusco, era o mote para iniciar esta jornada.

That day finally arrived in 2018. I returned to the same streets back then and, with my camera, I rediscovered the foundations of my childhood, I accepted all my sensations and  I searched for comfort in white  little houses, waiting for that moment when the sun passes the testimony to the yellow light of the lamps. And from that frame it will be the light of our lives. This unique moment, this unique second that we used to call twilight, was the spark to begin this journey.

A certa altura, senti que faltava algo. Senti que seria impossível expressar por fragmentos fotográficos, tudo aquilo que estava a receber. Era fundamental adicionar memória a esta Luz. Assim, decidi convidar quem convive com a escrita mais amiúde: Napoleão Mira. De todas as vezes que ele remexia nas profundezas da sua lembrança, as fotografias ganhavam corpo, os elementos fundiam-se, preservando neste livro a alma desta terra.

At one point, I felt that something was missing. I felt it would be impossible to express erveything I was receiving through my captures. It was essential to add memory to this light. So I decided to invite a person who live with words more often – the portuguese writer, Napoleão Mira. Every time he stirred in the depths of his memory, the photographs took shape, all the elements merged, preserving in this book the soul of this traditional village.

Nestes retratos de Entradas que agora convosco partilhamos, e que também vos pertencem, não existem, propositadamente, pessoas. O movimento captado é criado pela exposição da luz que, dançando em volta do nosso património, preserva no tempo esta única e tão intensa… Luz de Santiago.

In these portraits of Entradas that we now share with you, and which also belongs to you now, there are no space for persons. The movement captured is created by the light exposure that dances around our heritage, preserving in time this unique and so intense… Light of Santiago.

Obrigado pela leitura!

Thank you for reading!

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